A véspera de Natal era passada na casa dos meus avós. Havia rabanadas, leite creme, aletria e bolinhos de bolina que nunca ninguém comia, mas que eram da praxe...
Lá não havia chaminé para o Pai Natal entrar, mas não era por isso que ele não vinha.
Eu e o meu irmão estávamos sossegados à espera de ouvir um barulhinho estranho que nos fizesse suspeitar que o Pai Natal já tinha passado por lá... E os presentes apareciam como que por magia numa bacia dentro da banheira... E eu olhava para um buraco no teto que servia de respiro à casa de banho e tinha quase a certeza absoluta que ele tinha entrado por ali...
E tinhamos só meia dúzia de presentes e éramos felizes... os presentes de toda a família cabiam numa bacia da roupa!
É do que me lembro dos Natais da minha infância... Não de nenhum presente em particular, mas sim daquele ritual que os adultos faziam questão que acontecesse para dar a grande magia a esta época.
As pessoas falam tanto da crise, e não se lembram que o que importa não são os presentes caros, nem até o bacalhau mais grosso ou o queijo da serra mais puro. O que importa é a magia que podemos dar a esta época. E essa não há ninguém que a possa levar, ela está dentro de nós.